Franz Schubert (1797-1828)
Sonatina op.137 nº 2 em lá menor

 

Allegro moderato
Andante
Menuetto
Allegro


Esta sonatina pertence a um grupo de três compostas por Schubert originalmente para piano e violino, instrumento que praticou desde cedo e para o qual, curiosamente, escreveu pouquíssimas obras. No manuscrito da primeira delas, ele anotou: "Sonata para pianoforte com acompanhamento de violino". Ou seja, Schubert deixa claro que pretende cultuar uma tradição do século 18, e naquele momento já bastante ultrapassada, de atribuir ao instrumento de cordas o mero papel de coadjuvante.

Elas foram publicadas apenas em 1836, oito anos após sua morte. A que ouviremos hoje, em transcrição para piano e violoncelo, é a segunda delas, em lá menor e certamente a mais pessoal. Desde os primeiros compassos, a tensão do tema enunciado pelo piano é manifesta, e se amplia quando o violoncelo o retoma, ressaltando as oitavas duplas e o grande salto do intervalo de 13ª.

No Andante, construído à maneira de um "lied", a segunda parte do tema evoca sem disfarces o "Andante Favori" de Beethoven. De fato, Schubert andava maravilhado com a música de Beethoven naquele momento. Tanto que em seu "lied" "Der Tod Oskars" ele toma emprestado um tema da ópera "Fidelio".

Após o minueto em ré menor, o Allegro final reinstaura a tensão inicial e adensa mais o diálogo entre os dois instrumentos. A transcrição de Pieter Wispelwey respeita integralmente o texto, transpondo a parte de violoncelo apenas uma oitava abaixo.

19 e 22 de agosto
Pieter Wispelwey
violoncelo
Paolo Giacometti
piano (Holanda)