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Esta sonatina pertence a um grupo de três compostas por Schubert
originalmente para piano e violino, instrumento que praticou desde
cedo e para o qual, curiosamente, escreveu pouquíssimas obras.
No manuscrito da primeira delas, ele anotou: "Sonata para pianoforte
com acompanhamento de violino". Ou seja, Schubert deixa claro
que pretende cultuar uma tradição do século
18, e naquele momento já bastante ultrapassada, de atribuir
ao instrumento de cordas o mero papel de coadjuvante.
Elas foram publicadas apenas em 1836, oito anos após sua
morte. A que ouviremos hoje, em transcrição para piano
e violoncelo, é a segunda delas, em lá menor e certamente
a mais pessoal. Desde os primeiros compassos, a tensão do
tema enunciado pelo piano é manifesta, e se amplia quando
o violoncelo o retoma, ressaltando as oitavas duplas e o grande
salto do intervalo de 13ª.
No Andante, construído à maneira de um "lied",
a segunda parte do tema evoca sem disfarces o "Andante Favori"
de Beethoven. De fato, Schubert andava maravilhado com a música
de Beethoven naquele momento. Tanto que em seu "lied"
"Der Tod Oskars" ele toma emprestado um tema da ópera
"Fidelio".
Após o minueto em ré menor, o Allegro final reinstaura
a tensão inicial e adensa mais o diálogo entre os
dois instrumentos. A transcrição de Pieter Wispelwey
respeita integralmente o texto, transpondo a parte de violoncelo
apenas uma oitava abaixo.
19 e 22 de agosto
Pieter Wispelwey violoncelo
Paolo Giacometti piano
(Holanda)
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