Johannes Brahms (1833-1897)
Sonata op. 78 nº 1 em ré maior

 

Vivace ma non troppo
Adagio
Allegro molto moderato


Originalmente composta para violino na tonalidade de sol maior, a sonata é aqui transposta por Brahms para ré maior na versão para violoncelo. É apelidada de "sonata da chuva" (Regensonate) porque nela Brahms recorre a fragmentos do tema de seu "lied" "Canção da Chuva".

Brahms passou os verões de 1878 e 1879 em Pörtschach. Aos 46 anos, ele continuava praticando um rigoroso critério de qualidade consigo mesmo: destruiu pelo menos três sonatas até considerar-se satisfeito com esta, que privilegia o violoncelo, jamais ameaçado pelo piano.

Na verdade, o piano funciona como "sparring" para o violoncelo, jogando-lhe armadilhas rítmicas a todo momento. Brahms usa e abusa de um de seus recursos favoritos, o dos ritmos cruzados, combinando compassos binários com ternários.



Sonata op.99, nº 2 em fá maior

 

Allegro vivace
Adagio affetuoso
Allegro passionato
Allegro


Contemporânea da sonata para violino opus 100 e do Trio com piano opus 101, a sonata opus 99 para violoncelo e piano foi também composta num dos verões produtivos para Brahms. No caso, o de 1886, passado às margens do Lago Thun. No outono daquele ano, em outubro, o próprio Brahms tocou a parte de piano numa noitada privada na casa de Frau Fellinger, ao lado do violoncelista Robert Hausmann. De volta a Berlim, Hausmann mostrou a partitura para Elisabet von Herzogenberg, uma das pessoas musicalmente mais próximas do compositor. Ela imediatamente escreveu ao amigo falando do quanto gostou da nova obra. E concluiu assim: "Gostaria muito de ouvi-lo tocando o vigoroso Scherzo [o Allegro passionato]. Ninguém mais pode interpretá-lo como você. É preciso ser agitado sem ser precipitado, legato apesar da impetuosidade".

De fato, a amiga de Brahms tinha razão. Mas é a parte de violoncelo a que representa o maior desafio técnico. Pelo menos um biógrafo de Brahms, Walter Niemann, especula que a sonata foi escrita especialmente para Hausmann, devido às inéditas dificuldades da parte de violoncelo. Segundo testemunhos contemporâneos ao músico, ele possuía uma sonoridade tão grande e luminosa que podia facilmente destacar-se acima de um fortíssimo do piano - proeza que acontece com freqüência nesta obra-prima.

19 e 22 de agosto
Pieter Wispelwey
violoncelo
Paolo Giacometti
piano (Holanda)