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A música de câmara, desde o século 18, quando suas formas
se cristalizaram, representa historicamente um dos momentos
mais desejados pelos músicos. É que após os concertos formais
para a corte ou na igreja, eles relaxavam fazendo música de
câmara. Haydn, Mozart e mesmo Beethoven escreveram muita música
de câmara informal, descontraída. Música adequada para desarmar
os espíritos, ao mesmo tempo em que faz fluir no ar aquela
eletricidade e magia que só ocorrem quando os músicos integram-se
de modo total. Música tão significativa quanto as mais imponentes
e formidáveis sinfonias.
Pois música de câmara não é coisa que se faça da noite para
o dia. Exige anos de aprimoramento, seja pessoal, seja no
exercício de soar junto. Não existe nada mais belo e comovente
do que alguns instrumentistas construindo frases musicais
com inteira sintonia. O som nasce único e simultaneamente
multiplicado nos vários timbres. É esta a especificidade da
música de câmara. É onde o público pode apreender com mais
clareza a magia da música. E participar da música como se
estivesse ali, no palco, bem junto dos músicos.
O núcleo central da música de câmara - o quarteto de cordas
formado por dois violinos, viola e violoncelo - terá três
dos seus mais célebres representantes da cena internacional
presentes na temporada deste ano. Mas as demais formas e repertórios
importantes da música de câmara também estarão muito bem representados
na temporada 2002: o trio de violino, violoncelo e piano,
os duos de violino, de viola e de violoncelo com piano, um
recital de piano e a rara formação de soprano, clarineta e
piano.
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