Alexander Borodin (1833-1887)
Quarteto no. 2 em ré maior

 

Allegro moderato
Scherzo
Noturno
Finale


Filho natural de um príncipe caucasiano com uma russa, Borodin teve educação refinada e, apesar de entronizar como ídolo máximo o pai do nacionalismo musical no país, Glimka, fez da música de câmara, segundo mais de um estudioso, o núcleo central de sua atividade como compositor.

De fato, ele quis aprender violoncelo somente para poder praticar música de câmara com seu tutor alemão. Na Faculdade - ele formou-se e foi professor de química e medicina -, Borodin formou um grupo de música de câmara. E, já diplomado, viajou à Alemanha, onde foi largamente influenciado por Mendelssohn.

São cerca de dez as obras de câmara de Borodin, que sofreu críticas pesadas de companheiros ilustres como Balakirev e Mussorgski por cultivar um gênero para eles tão fora de moda e germânico demais. Eles tinham razão quanto ao caráter germânico da música de Borodin. Suas duas obras-primas, os quartetos em lá maior e este em ré maior que hoje ouviremos, constroem instigantes diálogos entre as formas e o estilo dos compositores clássicos e românticos de extração austro-germânica com os ritmos, cores e escalas tipicamente russos.

O violoncelo, seu instrumento de predileção, ganha sempre espaços maiores que os parceiros. E isso vale tanto para o primeiro quarteto, "inspirado por um tema de Beethoven" segundo suas palavras (no caso, o quarteto opus 130), quanto para o segundo.

De estrutura simples e sonoridades íntimas, o quarteto no. 2 abre justamente com o violoncelo expondo o primeiro tema; no Scherzo, o segundo tema evoca um motivo das conhecidíssimas "Danças Polovitsianas". O terceiro movimento, "Noturno", é o mais célebre e sua cantilena já foi arranjada de mil e uma maneiras.

11 e 12 de junho
Quarteto Prazak