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Filho natural de um príncipe caucasiano com uma russa, Borodin
teve educação refinada e, apesar de entronizar como ídolo máximo
o pai do nacionalismo musical no país, Glimka, fez da música de
câmara, segundo mais de um estudioso, o núcleo central de sua atividade
como compositor.
De fato, ele quis aprender violoncelo somente para poder praticar
música de câmara com seu tutor alemão. Na Faculdade - ele formou-se
e foi professor de química e medicina -, Borodin formou um grupo
de música de câmara. E, já diplomado, viajou à Alemanha, onde foi
largamente influenciado por Mendelssohn.
São cerca de dez as obras de câmara de Borodin, que sofreu críticas
pesadas de companheiros ilustres como Balakirev e Mussorgski por
cultivar um gênero para eles tão fora de moda e germânico demais.
Eles tinham razão quanto ao caráter germânico da música de Borodin.
Suas duas obras-primas, os quartetos em lá maior e este em ré maior
que hoje ouviremos, constroem instigantes diálogos entre as formas
e o estilo dos compositores clássicos e românticos de extração austro-germânica
com os ritmos, cores e escalas tipicamente russos.
O violoncelo, seu instrumento de predileção, ganha sempre espaços
maiores que os parceiros. E isso vale tanto para o primeiro quarteto,
"inspirado por um tema de Beethoven" segundo suas palavras (no caso,
o quarteto opus 130), quanto para o segundo.
De estrutura simples e sonoridades íntimas, o quarteto no. 2 abre
justamente com o violoncelo expondo o primeiro tema; no Scherzo,
o segundo tema evoca um motivo das conhecidíssimas "Danças Polovitsianas".
O terceiro movimento, "Noturno", é o mais célebre e sua cantilena
já foi arranjada de mil e uma maneiras.
11 e 12 de junho
Quarteto Prazak
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